Celso, Maçaroca, Miudinho, Gancho, Boca e Xico.
Por uma década e meia, o meu grupo musical foi o Megatons. Bons tempos, ótimos sons. Éramos seis figuraços.
Apresentando: Gancho, estudante de engenharia e tecladista. Boca, estudante de engenharia e baixista. Maçaroca, que trabalhava com advocacia e no conjunto comandava a bateria. Celso Lippy, desenhista arquitetônico e guitarrista. Xico, militar e saxofonista da orquestra da PM. Nos vocais eu, estudante de engenharia e na época conhecido por Miudinho.
Certa vez, na década de 1970, estávamos em Porto União, Santa Catarina montando o equipamento para um show quando o Xico, que abria sua estante de partituras, me pediu:
– Miudinho, por favor me passe aquela polca. Como não entendi, ele reforçou. Me passe a polca para eu apertar esse parafuso aqui.
– Ôh Xico, me perdoe mas isso aqui se chama porca. Ele retrucou, – Porca é a mulher do porco e eu: – Pois então polca é um ritmo russo!
Não se dando por satisfeito perguntou para os demais integrantes do conjunto e até para o motorista do ônibus. Todos foram unânimes: – É PORCA
Não preciso dizer que ele ficou bicudo o baile todo e no retorno para Curitiba estava com cara de poucos amigos.
Na terça-feira seguinte, dia de ensaio da banda, apesar das altas multas por falta ou atraso, nós cinco aguardávamos ansiosos a chegada do Xico, nosso arranjador musical (e também responsável pela caixinha).
Já se passavam mais de 50 minutos do horário combinado, quando eis que chega ele trazendo num dos braços o seu admirável Sax tenor Selmer, dependurado pela alça no pescoço o sax alto e, na outra mão, 4 ou 5 livros, entre dicionários, manuais técnicos e enciclopédias, e então finalmente desabafou:
– Vocês tinham razão! O nome correto é porca. Estive na Biblioteca Pública pesquisando. Eles me ensinaram errado quando eu era criança lá no interior do Rio Grande do Sul. Mas tem um porém! Eu sou mais velho que todo mundo aqui, vou continuar chamando de polca e quem tirar sarro pra cima de mim vai levar porrada!
... Conto da série Crônicas de um músico, de Jonas de Castro Deus ...

5 comentários:
Faço uma sugestão para evitar brigas futuras, fica assim: PORCA, mulher do porco; POLCA, ritmo russo; e PORLCA ou POLRCA,objeto para apertar parafuso.
Interessante a solução. Aposto que que já tem um monte de gente usando o neologismo, rs.
Brincadeiras à parte, sempre achei curioso esses vícios de linguagem, como "parteleira" ou "estonjo".
Certa vez, a caminho de mais uma dessas matérias sobre a explosão do ensino superior no país... Era uma tarde chuvosa, meio triste de certa forma.
Entrei no táxi e expliquei o endereço, ao que ouvi:
- Ah, o senhor vai ali na "Faculidade"? Meu filho estuda lá na "Faculidade" também.
Não sei explicar, mas adorei a corruptela criada pelo motorista. Acho que de certa forma o termo "Faculidade", além de soar melhor, tem um tom deboxado que eu adoro.
Bom, acabei usando o neologismo na matéria. Para mim, sei lá, soava como uma crítica irônica à forma como é conduzida a política de ensino superior no país.
Claro que o texto foi vetado. Ninguém, além de mim, achou graça na "Faculidade".
Essa aconteceu no começo de 2001.
Pois é, no Rio de Janeiro tínhamos uma vizinha, Dona Maria, que falava 'vrido' as invés de vidro. Perguntada por que falava assim já que as demais pessoas não o faziam, Dona Maria: "Porque é mais fácil". Tente dizer 'vrido' e veja se é mais fácil... Mistério da última flor do Lácio.
"Vrido" é ótima.
Tenho certeza que pra Dona Maria era muito mais fácil de pronunciar.
Aqui em Floripa, os mais antigos moradores falam trabeceiro(travesseiro) debaidaponte (debaixo da ponte) se quéxquéx se não quéx dix (se queres queres se não queres diz) Hahaha! Muito engraçado. Brandina.
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